ENGLISH

The training program “Unlearning – Cultural Mediation Practices”, promoted by PELE as part of the European project Training Contact Zone, brought together 31 participants in Porto between 4 and 19 March 2026 for an intensive 40-hour programme combining in-person and online sessions. The initiative explored cultural mediation as a tool for creating fairer, more inclusive, and more representative spaces, placing the concepts of Contact Zones, participation, and cultural democracy at the centre of its reflection.

The course generated strong interest within the Portuguese cultural community, receiving 112 applications, a clear indication of the relevance and urgency of the themes addressed. Participants came from highly diverse backgrounds in terms of age, gender, academic training, and professional situation, while sharing a common interest in deepening their cultural mediation practices and exploring the transformative potential of Contact Zones.

Throughout the program, participants engaged in debates, laboratories, exploratory walks, mediation workshops, and exercises inspired by the techniques of the Theatre of the Oppressed and Forum Theatre. These activities encouraged participants to question institutional practices, reflect on invisibilities present in cultural contexts, and experiment with more participatory and democratic methodologies.

The results of the final evaluation revealed a very positive impact. Around 83.3% of participants considered the training highly relevant to the current cultural context and aligned with their needs and priorities, while 86.7% stated that they had developed and deepened their skills in cultural mediation, particularly in addressing complex issues and creating spaces for dialogue.

The reflections shared by participants further reinforced the importance of this collective experience. Below are some of the final thoughts shared during the program:

There are very few training programs capable of bringing together such diverse experiences and testimonies with this breadth in the field of cultural mediation.” 

Based on the learning we gained through the course, we will have the opportunity to put into practice new strategies and models of cultural action, and in doing so transform/pirate the cultural spaces we inhabit.” 

I feel more confident in developing artistic and cultural projects that promote contact zones. I have also begun to rethink questions of representation within the spaces I occupy as a cultural agent. Who am I? Why do I occupy this place? Who is absent?” 

I learned that creating a Contact Zone is a way of recognizing that encounters between distinct and even contradictory narratives generate critical reflection, creativity, and social transformation.” 

I began to look at the context in which I work as a contact zone — with all the care it requires, but also with the potential it holds precisely because of that.” 

The training reinforced the idea that all dominant narratives coexist with alternative narratives, making it essential to create space for different perspectives.” 

Based on these feedbacks, we strongly believe that “Unlearning – Cultural Mediation Practices” course became a space for encounter, experimentation, and the collective construction of critical thinking, helping to strengthen support networks and imagine cultural practices that are more connected, attentive, and democratic.

 

PORTUGUESE

A formação “Desaprender – Práticas de Mediação Cultural”, promovida pela PELE no âmbito do projeto europeu Training Contact Zone, reuniu 31 participantes no Porto, entre os dias 4 e 19 de março de 2026, num percurso intensivo de 40 horas entre sessões presenciais e online. A iniciativa explorou a mediação cultural como ferramenta para a criação de espaços mais justos, inclusivos e representativos, colocando no centro da reflexão os conceitos de Zonas de Contacto, participação e democracia cultural.

O curso contou com um forte interesse por parte da comunidade cultural portuguesa, tendo recebido 112 candidaturas, um indicador da relevância e urgência das temáticas abordadas. As pessoas participantes apresentavam perfis bastante diversos em termos de idade, género, formação académica e situação profissional, partilhando, contudo, um interesse comum pelo aprofundamento das práticas de mediação cultural e pelo potencial transformador das Zonas de Contacto.

Ao longo da formação, foram desenvolvidos debates, laboratórios, caminhadas exploratórias, oficinas de mediação e exercícios inspirados nas técnicas do Teatro das Oprimidas e do Teatro Fórum. Estes momentos permitiram questionar práticas institucionais, refletir sobre invisibilidades presentes nos contextos culturais e experimentar metodologias mais participativas e democráticas.

Os resultados da avaliação final revelam um impacto muito positivo da formação. Cerca de 83,3% das pessoas participantes consideraram a formação muito relevante no contexto cultural atual e alinhada com as suas necessidades e prioridades, enquanto 86,7% afirmaram ter desenvolvido e aprofundado competências na área da mediação cultural, sobretudo na abordagem de temas complexos e na criação de espaços de diálogo.

As reflexões partilhadas pelas pessoas participantes reforçam a importância desta experiência coletiva. Deixamos, abaixo, algumas das considerações finais partilhadas.

Há poucas formações que consigam reunir experiências e testemunhos tão diversos, com esta amplitude no campo da mediação cultural.

A partir das aprendizagens que ganhamos com o curso, teremos a oportunidade de colocar em prática novas estratégias e modelos de ação cultural e assim transformar/piratear os espaços culturais que habitamos.

“Considero ter mais segurança para desenvolver projetos artísticos e culturais que promovem zonas de contacto. Repensar questões de representatividade nos lugares que ocupo enquanto agente cultural. Quem sou? Porque ocupo este lugar? Quem não está?”

“Aprendi que a criação de uma Zona de Contacto é uma forma de reconhecer que o encontro entre narrativas distintas, contraditórias, gera reflexão crítica, criatividade e transformação social.”

“Passei a olhar para o contexto em que trabalho como uma zona de contacto, com os cuidados que requer, mas também o potencial que apresenta por isso mesmo.”

“A formação reforçou a ideia de que todas as narrativas dominantes coexistem com narrativas alternativas, sendo fundamental criar espaço para diferentes perspetivas.”

A partir destes comentários, acreditamos que o curso “Desaprender – Práticas de Mediação Cultural” constituiu um espaço de encontro, experimentação e construção coletiva de pensamento crítico, contribuindo para fortalecer redes de apoio e imaginar práticas culturais mais próximas, atentas e democráticas.

 


Photos: © Carolina Ribeiro und Anadinis Mar

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